E eu não sou uma estudante?
- Cris Derner
- há 8 horas
- 3 min de leitura
Por qual motivo eu preciso escolher entre carreira acadêmica e maternidade?
Só porque a sociedade fala que é assim?
Desde que o mundo é mundo a sociedade tenta colocar a mulher numa caixa. Tenta moldar seus hábitos, costumes, atos, vivências. Tenta colocar sua vida numa forma. Tipo aquelas assadeiras de bolo, sabe? Que você faz vários, de vários sabores mas todos vão sair no mesmo formato pois só foi permitido que eles crescessem e assassem nesse molde?
Pois é.
E por falar em bolo, de acordo com a sociedade eu deveria estar assando um nesse momento, com a casa limpa, os filhos alimentados e na cama, eu de banho tomado e com a janta pronta esperando meu marido chegar do trabalho.
Mas eu não gosto de fazer bolo.
Não gosto desse negócio de fazer as coisas seguindo receita.
Só que a vida da mulher, segundo o patriarcado, deveria ser desse jeito.
Dentro da linha delimitada, sem reclamar, sem levantar a voz ou opinar.
Estudar? Pra quê? Mulher nasce com instinto. Nasce pra ser dona de casa e mãe. Não precisa estudar pra isso.
A não ser que você esteja pensando em quebrar as regras. Fazer diferente disso.
Mas como assim? Como você ousa reclamar do que é oferecido para você?
Como você ousa reclamar da vida que toda mulher sonha em viver?
Pra quê trabalhar fora?
Pra quê estudar?
Pra quê guardar dinheiro?
Pra quê?
Por quê?
Por que não?
Por que mulher não pode?
Por que a sociedade diz que é assim?
Por que sempre foi desse jeito então não é pra mexer no time que tá ganhando?
Mas quem tá ganhando?
Que time é esse que deixa as mulheres de fora da escalação do campeonato enquanto os homens aparecem na frente das câmeras ganhando fama e reconhecimento?
Que time é esse onde todos trabalham nos bastidores, treinam juntos pra no final as mulheres ficarem no vestiário passando uniforme e limpando a sujeira dos homens que vão pro campo jogar?
Não queremos bastidores.
Queremos holofotes
E estamos indo atrás deles.
Os Homens sempre temeram que as mulheres saíssem de suas casas e lutassem por seus direitos, pois desse jeito eles ficariam sem a comida fresca, sem a roupa passada, sem a casa limpa, sem o status de provedor.
Porque eles sabiam que qualquer coisa que a mulher se propusesse a fazer, ela faria bem feito.
E se tivesse oportunidade então, faria melhor que muitos deles.
Mas isso é um absurdo.
Quem é que vai criar as crianças? Quem é que vai ficar em casa e ensinar as meninas a limpar a casa enquanto os meninos jogam bola e aprendem a ir pro campo desde cedo?
Pois é.
Eles sabem.
A sociedade sabe.
E o medo é esse.
Porque a mulher pode.
Porque a mulher consegue
Porque a mulher quer.
E quando ela quer ela sai da caixa, ela joga o molde fora e constrói sua história do seu jeito. Fazendo escolhas
Ousando romper barreiras.
Ela pode trabalhar fora
E ser mãe
E estudar
E namorar
E se cuidar
E ser feliz.
Basta que a sociedade não imponha limites ou obstáculos.
Basta que a sociedade não a interrompa
Basta que a sociedade não a invisibilize.
Afinal, é isso que a sociedade faz:
Finge que ela não existe.
Só lembra quando precisa de gente pra trabalhar.
Então vai engravidar sim.
Vai colocar mais pessoas no mundo.
E depois vai aceitar que seu destino é ser mãe.
Mas só mãe. Sem pensar. Sem reclamar.
Sem ousar.
Mulher mãe não precisa trabalhar fora.
Mas se quer tentar, boa sorte.
Só não acha que vai ter salário igual ao dos homens. Porque isso é absurdo.
Era pra você estar em casa sendo mãe.
Aliás, se você engravidar já sabe né.
Vai parir sua criança e vai embalar ela sozinha.
Porque ela é sua. Você não fechou as pernas. Agora aguenta.
E não precisa voltar a trabalhar não.
A maternidade vai atrapalhar seu desempenho.
Então está demitida.
Estudar?
Não vai estudar não.
Pra quê faculdade?
Como você acha que vai dar conta de estudar se você tem filhos?
Quem vai cuidar deles enquanto você estuda?
Como assim você quer levar eles pra faculdade?
Isso é um absurdo.
Além de estudar, quer transformar a universidade em creche?
Aliás, não tem vaga na creche né? Que pena.
É que já tem muita criança.
Mas não o suficiente pra você poder escolher não engravidar. Não confunda as coisas.
Volta pra casa.
Mas não deixa de entregar os trabalhos.
Quis estudar então se vira.
Dá seu jeito.
Não reclama.
E não fica faltando não. Porque senão você perde sua vaga.
Mas não inventa de trazer a criança para sala. Não!
Você não é estudante.
Você é mãe.
Mulher-mãe. É isso que você tem que ser.
É assim que tem que ser.
Sempre foi assim.
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