

Eu estou exausta - uma reflexão sobre ser mãe de família.
Muitas vezes eu queria deixar a carga da maternidade no chão, como uma mochila pesada que a gente tira das costas no fim de uma viagem longa. Sentar no sofá chorar toda culpa que se contorce diariamente dentro do meu peito junto com todo luto da mãe que não fui e jamais serei porque ela só existia na minha idealização. Me limpar e seguir uma nova caminhada. Me deixar ser apenas mulher, eu que aprendi a deixar de ser menina enquanto aprendia a acalentar choros e a amamentar. Q

Sofia Miranda
19 de abr.2 min de leitura


Há um elefante branco na sala e nós precisamos falar sobre ele: por que as políticas de permanência para mães estão sendo destinadas a quem já tem privilégios?
Sim, há um elefante branco na sala — e nós precisamos falar sobre ele. Convenhamos: o assunto maternidade, por si só, já gera debates incansáveis em lares, bares e nas redes. Sempre há alguém com algo a dizer, inclusive aqueles que nem filhos possuem. Um dia desses, eu ouvi: — Ah, mas eu acho que você, como mãe, deveria fazer desse modo com a sua filha. Pensei cá com meus botões: — Ué, mas eu nem pedi sua opinião. E assim é sempre quando o assunto é maternidade. Sempre há alg

Dra. Kamila Eulalio Abreu
8 de abr.2 min de leitura


Quem tem tempo para escrever?
É comum a ideia de que todas as pessoas dispõem das mesmas 24 horas diárias. Dados do IBGE (PNAD, 2023) indicam que mulheres dedicam aproximadamente 21,3 horas semanais (3,04 horas por dia) ao trabalho doméstico e ao cuidado de pessoas, enquanto homens dedicam cerca de 11,7 horas semanais (1,67 horas por dia).
Essa diferença expressa uma grande assimetria de gênero na distribuição do tempo, resultando em 9,6 horas semanais a mais de trabalho não remunerado para as mulheres

Mithaly S. Corrêa
28 de mar.4 min de leitura


Quando a filha assume grande poder e grande responsabilidade
Não me considero uma mãe controladora, mas é fato que venho sendo a responsável pelas principais decisões relacionadas à minha filha desde seu nascimento. Sempre defini seu colégio, as atividades extracurriculares, como seria seu deslocamento, e tudo o mais que permeia nossa rotina

Márcia do Valle
26 de mar.2 min de leitura


A psicanálise e o discurso sobre a mãe: o que o escândalo francês denuncia sobre psicanálise, discurso e poder
No dia 12 de fevereiro de 2026, a HAS publicou uma atualização da recomendação de boas práticas no tratamento do autismo. Nessa atualização a instituição assumiu com clareza, a partir de consenso, uma posição em relação ao tratamento do autismo: a não recomendação da psicanálise como prática terapêutica. A justificativa é a de que a abordagem psicanalítica possui um nível insuficiente de evidências que provem sua eficácia. Desde então, um grande debate foi retomado, mobiliza

Ana Paula Lucena Cordeiro
23 de mar.9 min de leitura


O que você chama de amor é trabalho não remunerado: uma análise da obra “O Ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista” de Silvia Federici
No primeiro capítulo do livro O Ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista , Silvia Federici (2019) discute a teorização e a politização do trabalho doméstico como um caminho para a compreensão da exploração das mulheres na organização da sociedade capitalista. Em sua obra, Federici afirma que o trabalho doméstico invisível constitui um elemento crucial na exploração das mulheres no capitalismo e, ao propor a ampliação da análise marxista acerca

Mithaly S. Corrêa
18 de nov. de 20253 min de leitura


Gestar e maternar ao mesmo tempo: minha jornada de recomeço, fé e rede de apoio
Meu nome é Greice Kelly, sou esposa do Gustavo e mãe da Ana Sophia. Enquanto ainda vivia a intensidade de aprender a maternar, descobri que carregava uma nova história dentro de mim, uma nova vida dentro de mim. Gestar e maternar ao mesmo tempo foi, e ainda é, um mergulho em sentimentos que se misturam entre alegria, medo, culpa e amor. É sobre essa experiência real que eu quero compartilhar um pouco aqui. Quando descobri a gestação da minha segunda filha, a Ana Sophia tinha

Greice Kelly Carvalho
17 de nov. de 20253 min de leitura


UM OLHAR SOCIAL E PSICANALÍTICO SOBRE A MATERNIDADE E A SUBJETIVIDADE MATERNA
Podemos pensar a maternidade sob a ótica da sociologia como um produto sociocultural de um determinado tempo e região que perpassa também questões de gênero. “Produto” este, que de acordo com o constructo político vigente, sofre interseccionalidades dos sistemas de poder que regem os discursos e privilegiam determinadas camadas. Para Foucault (2000), o discurso atua enquanto um conjunto de saberes e práticas “que formam sistematicamente os objetos de que falam”, demarcando o

Marcella Brito dos Santos
6 de nov. de 20256 min de leitura


O Arrependimento Materno: mulheres que se arrependeram da escolha da maternidade
Arrependimento materno me faz lembrar imediatamente daquela cena clássica de família: a mãe reclamando de estar cansada, gritando aos quatro cantos da casa que apenas será reconhecida por nós, filhas, no dia em que tivermos os nossos filhos. Mas, e se não quisermos ter filhos? Tal negativa faz elas rapidamente mudarem seus discursos, aclamando a maternidade como um lugar "cheio de bênçãos", da qual nos arrependeremos de não viver. E se nos arrependermos ao vivê-la? Esta é a p

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


IDENTIDADE FEMININA: QUAL A PROFISSÃO DE MAINHA?
Estou ainda um pouco atônita enquanto faço este texto. A questão é exatamente essa do título: qual a profissão de mainha? Eu não tenho a resposta para esta pergunta e este fato tem tudo a ver com a construção social da identidade feminina na base opressora emachista que vivemos. Hoje lia “A Mística Feminina” de Betty Friedan, um livro de 1963 baseado em um estudomarcante sobre a cultura americana da mulher/esposa/dona-de-casa que se tornou umfenômeno particularmente dominant

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Sou uma boa ou má mãe? Meu condicional amor materno
Esse é o primeiro ano, desde que meu filho nasceu, que o amo mais. Contradizendo o que normalmente ouvimos sobre maternidade, eu admito que meu amor por ele é condicional, depende das condições para eu vivê-lo plenamente. Fugindo das palavras escritas nos cartões de dia das mães, o amor ao meu filho não é - e nunca será - eterno e incondicional. Do momento em que ele nasceu até o ano passado, amar essa criança foi difícil, sofrido e cheio de altos e baixos que interferiram pr

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


INVISIBILIDADE MATERNA: A VISÍVEL HOSTILIDADE DOS ESPAÇOS QUE NÃOACOLHEM MÃES E BEBÊS
Meu filho tinha cinco meses e chorava horrores. Corri para o banheiro porque sabia que a fralda estava cheia e precisava ser trocada. Me deparo com um banheiro chique, bem limpo e cheiroso - mas sem nenhum fraldário ou espaço infantil. Com a cabeça ecoando o choro de um bebê irritado, tento pensar rápido sobre o quê, como e onde trocar esta criança. Balançando ele no sling, abro a mochila e tiro dela tudo que minhas costas aguentavam por já saber que não acharia fraldários: t

Karla Fontoura
6 de nov. de 20257 min de leitura


Mulheres: mais inteligentes e mais propensas a serem pobres
Hoje fui confrontada com uma notícia que cogitava ser real, mas ainda não tinha dado atenção: mulheres têm probabilidade maior de envelhecerem mais pobres do que os homens. Pesquisei rapidamente e achei um artigo chamado “Mulher, velhice e solidão: uma tríade contemporânea?”, de Marly de Jesus Sá Dias e Jacira Serra, que caiu como um belo soco no estômago e que trazia as duas citações abaixo: “As mulheres acumulam no decorrer da vida desvantagens (violência, discriminação,

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Mãe solo com pai presente
Se você é mãe e está separada/divorciada, é muito importante que descubra um fato que demorei dois anos para considerar sobre minha maternidade. Existe mãe solo com pai presente. Primeiro de tudo, vamos analisar a mãe solo? O termo em si é super recente, por isso, precisamos revisitar sua origem, à famosa ideia da “mãe solteira”. Resumidamente, mãe solteira seria aquela mulher que não tem o pai do seu filho/a presente. Normalmente, são mulheres que foram abandonadas em

Karla Fontoura
6 de nov. de 20257 min de leitura


Amo minha filha, amo a maternidade. O que eu odeio é o patriarcado branco.
"Amo minha filha, mas odeio a maternidade" é uma das frases por onde milhares de mulheres têm escoado sua exaustão, a sobrecarga, a dor da solidão e da necessidade de escolher se vai viver como se só fosse mãe ou se vai viver como se não tivesse filhos. Mas nada disso é natural. Quero poder transformar essa sentença. Primeiro porque essa ideia de maternidade certamente está sendo construída por homens, sobretudo os brancos. Essa ideia de que a maternidade é uma prisão dent

Karla Fontoura
6 de nov. de 20252 min de leitura


O não espaço da minha maternidade não binária
Minha não binariedade chegou na minha expressão, na minha liberdade, na minha autoestima, mas, por vários motivos, ainda não está completamente presente na minha maternidade. Por quê? Escrever esse texto vai ser uma forma de tentar achar respostas para mim mesma. Estou pensando nesse assunto há muito tempo, mas, fui especialmente instigada por ele quando meu filho, na sua doce molecagem repetiu comigo a brincadeira que fazia com seu primo. Ele dizia opções improváveis a ele

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Medicina e feminismo: a mulher como o não-homem
Meu filho de 8 anos me lançou uma pergunta “daquelas” esses dias. Ele disse: “Mãe, a xereca é quando não tem pinto, certo?” Essa questão puxou toda uma reflexão interna que eu estava fazendo sobre a relação da medicina com o corpo feminino. Logo volto ao assunto. Vamos ao momento da conversa com meu pequeno. Na hora, fiquei assustada com a questão, não pelo conteúdo da anatomia dos órgãos sexuais - conversamos livremente sobre o assunto - mas, pela observação de que meu

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Carga mental: sobre ser o "hd" de alguém
Por muitos anos eu fui o HD de alguém. Ser um HD significa disponibilizar espaço na mente para as necessidades do outro, seus compromissos, é ser sua motivação, seu apoio e suporte emocional. Ser HD é aceitar cuidar de um adulto com todas as suas capacidades físicas e cognitivas plenas porque existe uma construção cultural de que metade dos adultos no mundo sabem se cuidar e cuidar dos outros (mulheres) e metade não sabe fazer isso (homens). Essa perspectiva é baseada em u

Karla Fontoura
6 de nov. de 20256 min de leitura


"Não tenho com quem deixar": maternidade e mobilidade urbana no rio de janeiro
“N ão tenho com quem deixar”: essa é a frase mais falada por mães de bebês e crianças para justificarem a impossibilidade de irem para qualquer lugar. Os mais velhos já não estão disponíveis para serem cuidadores das crianças e talvez esse seja um efeito imediato da dificuldade de alcançar a aposentadoria depois da reforma da previdência. Os papéis se inverteram: nas praças das favelas e dos bairros pobres, não raro, uma criança cuida da outra. Quando há adultos disponíveis p

Yasmin Rodrigues
6 de nov. de 20254 min de leitura


"O problema é..." sobre homens que pagam pensão, mas sempre reclamam
Certos comportamentos no machismo não são tão lineares como imaginamos. A complexidade do ser humano faz com que atitudes opostas ocupem um mesmo lugar. É o que, particularmente, percebo na paternidade participativa, afetiva e comprometida, mas que, simplesmente, é machista no seguinte: eles não estão comprometidos com a pensão. A gente já conhece a lenda urbana - mais real que nunca - dos pais que simplesmente somem e esquecem de suas crias, ao ponto de não se comprometere

Karla Fontoura
6 de nov. de 20255 min de leitura
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