

O problema do colo vazio
Ser mulher, feminista e pesquisadora é estar constantemente atenta às estratégias do patriarcado e do capitalismo para te usar como instrumento de cuidado e de trabalho reprodutivo. É nesse contexto que tenho me sentido provocada a analisar uma questão que ecoa todos os dias na minha vida de “mulher sem filhos”. Primeiramente porque a ausência dessa maternidade me é lembrada a cada entrevista de emprego como algo positivo, mas na maioria das rodas sociais como uma grande defi

Juliana Marcia S. Silva
há 4 horas3 min de leitura


MATERNIDADES SOLO, BOLSA FAMÍLIA E FEMINIZAÇÃO DA POBREZA
A recente declaração do bilionário Luciano Huck sobre o Bolsa Família, ao afirmar que “não há estímulo para sair do programa”, reacendeu um debate recorrente sobre pobreza no Brasil. Ao sugerir que famílias beneficiárias buscariam formas de permanecer dependentes do auxílio estatal, sua fala recupera o que há de mais ignorante e primitivo sobre os programas de transferência de renda no país. “O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim tem 56% da sua economia no Bolsa Família.

Luana Fontal
29 de mai.6 min de leitura


Entre inúmeros cigarros-pausa, um cemitério de textos não finalizados
Dia 11 de abril de 2026, 10h da manhã de sábado. Esse texto deveria ser uma sessão de terapia, mas na verdade, no dia da minha última sessão - não realizada - eu acordei quebrada. Tinha passado a noite anterior no hospital acolhendo um outro ser humano, o que me fez acordar cheia de demandas não cumpridas e o que também me fez escolher entre as cumprir ou cuidar de mim mesma. E vem sendo difícil me perceber, quando passo o dia ou no trabalho, ou olhando para o outro, buscando

Mithaly S. Corrêa
27 de mai.3 min de leitura


TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO
Assisti ao premiado “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo” sem qualquer pretensão de encontrar nele o tanto de teoria feminista que encontrei. O que inicialmente me capturou foi outra coisa: a promessa do absurdo, dos multiversos, das rupturas temporais, dessa estética quase delirante que mistura ficção científica, humor e caos. Sempre gostei de narrativas que brincam com universos paralelos e possibilidades infinitas da existência. Assisti ao filme numa tarde comum, ao lado dos
Ivana Moura
25 de mai.5 min de leitura


Shakira não me representa!
Meu nome é Adriana, sou professora, graduanda de História/ UERJ, desde 2023 atuo em prol da pauta materna universitária. Esta é a minha história, mas poderia ser de tantas outras manas... Fui casada durante 20 anos. Me divorciei há 6 anos e, desde então, as responsabilidades financeiras, sociais, médicas e educacionais com minha filha mais nova, ficaram exclusivamente comigo. Tenho também outra filha que fará 19 anos, que amo demais, mas tivemos nossa relação afetada pela vio

Adriana Pereira
22 de mai.3 min de leitura


O invisível mundo do trabalho do cuidado
Existe um tipo de trabalho por trás de tudo que envolve a vida de uma criança, mas que costuma passar completamente despercebido. Ele não aparece em planilhas, não gera comprovante e quase nunca entra na conta quando se fala em responsabilidades parentais. Ainda assim, está presente em cada detalhe do dia a dia. Existe um tipo de trabalho que atravessa todos os momentos da vida de uma criança e, ainda assim, quase nunca é percebido. Ele não aparece em planilhas, não gera comp

Samia Frantz
19 de mai.3 min de leitura


E eu não sou uma estudante?
Desde que o mundo é mundo a sociedade tenta colocar a mulher numa caixa. Tenta moldar seus hábitos, costumes, atos, vivências. Tenta colocar sua vida numa forma. Tipo aquelas assadeiras de bolo, sabe? Que você faz vários, de vários sabores mas todos vão sair no mesmo formato pois só foi permitido que eles crescessem e assassem nesse molde?

Cris Derner
18 de mai.3 min de leitura


Eu estou exausta - uma reflexão sobre ser mãe de família.
Muitas vezes eu queria deixar a carga da maternidade no chão, como uma mochila pesada que a gente tira das costas no fim de uma viagem longa. Sentar no sofá chorar toda culpa que se contorce diariamente dentro do meu peito junto com todo luto da mãe que não fui e jamais serei porque ela só existia na minha idealização. Me limpar e seguir uma nova caminhada. Me deixar ser apenas mulher, eu que aprendi a deixar de ser menina enquanto aprendia a acalentar choros e a amamentar. Q

Sofia Miranda
19 de abr.2 min de leitura


Há um elefante branco na sala e nós precisamos falar sobre ele: por que as políticas de permanência para mães estão sendo destinadas a quem já tem privilégios?
Sim, há um elefante branco na sala — e nós precisamos falar sobre ele. Convenhamos: o assunto maternidade, por si só, já gera debates incansáveis em lares, bares e nas redes. Sempre há alguém com algo a dizer, inclusive aqueles que nem filhos possuem. Um dia desses, eu ouvi: — Ah, mas eu acho que você, como mãe, deveria fazer desse modo com a sua filha. Pensei cá com meus botões: — Ué, mas eu nem pedi sua opinião. E assim é sempre quando o assunto é maternidade. Sempre há alg

Dra. Kamila Eulalio Abreu
8 de abr.2 min de leitura


Quem tem tempo para escrever?
É comum a ideia de que todas as pessoas dispõem das mesmas 24 horas diárias. Dados do IBGE (PNAD, 2023) indicam que mulheres dedicam aproximadamente 21,3 horas semanais (3,04 horas por dia) ao trabalho doméstico e ao cuidado de pessoas, enquanto homens dedicam cerca de 11,7 horas semanais (1,67 horas por dia).
Essa diferença expressa uma grande assimetria de gênero na distribuição do tempo, resultando em 9,6 horas semanais a mais de trabalho não remunerado para as mulheres

Mithaly S. Corrêa
28 de mar.4 min de leitura


Quando a filha assume grande poder e grande responsabilidade
Não me considero uma mãe controladora, mas é fato que venho sendo a responsável pelas principais decisões relacionadas à minha filha desde seu nascimento. Sempre defini seu colégio, as atividades extracurriculares, como seria seu deslocamento, e tudo o mais que permeia nossa rotina

Márcia do Valle
26 de mar.2 min de leitura


A psicanálise e o discurso sobre a mãe: o que o escândalo francês denuncia sobre psicanálise, discurso e poder
No dia 12 de fevereiro de 2026, a HAS publicou uma atualização da recomendação de boas práticas no tratamento do autismo. Nessa atualização a instituição assumiu com clareza, a partir de consenso, uma posição em relação ao tratamento do autismo: a não recomendação da psicanálise como prática terapêutica. A justificativa é a de que a abordagem psicanalítica possui um nível insuficiente de evidências que provem sua eficácia. Desde então, um grande debate foi retomado, mobiliza

Ana Paula Lucena Cordeiro
23 de mar.9 min de leitura


O que você chama de amor é trabalho não remunerado: uma análise da obra “O Ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista” de Silvia Federici
No primeiro capítulo do livro O Ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista , Silvia Federici (2019) discute a teorização e a politização do trabalho doméstico como um caminho para a compreensão da exploração das mulheres na organização da sociedade capitalista. Em sua obra, Federici afirma que o trabalho doméstico invisível constitui um elemento crucial na exploração das mulheres no capitalismo e, ao propor a ampliação da análise marxista acerca

Mithaly S. Corrêa
18 de nov. de 20253 min de leitura


Gestar e maternar ao mesmo tempo: minha jornada de recomeço, fé e rede de apoio
Meu nome é Greice Kelly, sou esposa do Gustavo e mãe da Ana Sophia. Enquanto ainda vivia a intensidade de aprender a maternar, descobri que carregava uma nova história dentro de mim, uma nova vida dentro de mim. Gestar e maternar ao mesmo tempo foi, e ainda é, um mergulho em sentimentos que se misturam entre alegria, medo, culpa e amor. É sobre essa experiência real que eu quero compartilhar um pouco aqui. Quando descobri a gestação da minha segunda filha, a Ana Sophia tinha

Greice Kelly Carvalho
17 de nov. de 20253 min de leitura


UM OLHAR SOCIAL E PSICANALÍTICO SOBRE A MATERNIDADE E A SUBJETIVIDADE MATERNA
Podemos pensar a maternidade sob a ótica da sociologia como um produto sociocultural de um determinado tempo e região que perpassa também questões de gênero. “Produto” este, que de acordo com o constructo político vigente, sofre interseccionalidades dos sistemas de poder que regem os discursos e privilegiam determinadas camadas. Para Foucault (2000), o discurso atua enquanto um conjunto de saberes e práticas “que formam sistematicamente os objetos de que falam”, demarcando o

Marcella Brito dos Santos
6 de nov. de 20256 min de leitura


O Arrependimento Materno: mulheres que se arrependeram da escolha da maternidade
Arrependimento materno me faz lembrar imediatamente daquela cena clássica de família: a mãe reclamando de estar cansada, gritando aos quatro cantos da casa que apenas será reconhecida por nós, filhas, no dia em que tivermos os nossos filhos. Mas, e se não quisermos ter filhos? Tal negativa faz elas rapidamente mudarem seus discursos, aclamando a maternidade como um lugar "cheio de bênçãos", da qual nos arrependeremos de não viver. E se nos arrependermos ao vivê-la? Esta é a p

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


IDENTIDADE FEMININA: QUAL A PROFISSÃO DE MAINHA?
Estou ainda um pouco atônita enquanto faço este texto. A questão é exatamente essa do título: qual a profissão de mainha? Eu não tenho a resposta para esta pergunta e este fato tem tudo a ver com a construção social da identidade feminina na base opressora emachista que vivemos. Hoje lia “A Mística Feminina” de Betty Friedan, um livro de 1963 baseado em um estudomarcante sobre a cultura americana da mulher/esposa/dona-de-casa que se tornou umfenômeno particularmente dominant

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Sou uma boa ou má mãe? Meu condicional amor materno
Esse é o primeiro ano, desde que meu filho nasceu, que o amo mais. Contradizendo o que normalmente ouvimos sobre maternidade, eu admito que meu amor por ele é condicional, depende das condições para eu vivê-lo plenamente. Fugindo das palavras escritas nos cartões de dia das mães, o amor ao meu filho não é - e nunca será - eterno e incondicional. Do momento em que ele nasceu até o ano passado, amar essa criança foi difícil, sofrido e cheio de altos e baixos que interferiram pr

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


INVISIBILIDADE MATERNA: A VISÍVEL HOSTILIDADE DOS ESPAÇOS QUE NÃOACOLHEM MÃES E BEBÊS
Meu filho tinha cinco meses e chorava horrores. Corri para o banheiro porque sabia que a fralda estava cheia e precisava ser trocada. Me deparo com um banheiro chique, bem limpo e cheiroso - mas sem nenhum fraldário ou espaço infantil. Com a cabeça ecoando o choro de um bebê irritado, tento pensar rápido sobre o quê, como e onde trocar esta criança. Balançando ele no sling, abro a mochila e tiro dela tudo que minhas costas aguentavam por já saber que não acharia fraldários: t

Karla Fontoura
6 de nov. de 20257 min de leitura


Mulheres: mais inteligentes e mais propensas a serem pobres
Hoje fui confrontada com uma notícia que cogitava ser real, mas ainda não tinha dado atenção: mulheres têm probabilidade maior de envelhecerem mais pobres do que os homens. Pesquisei rapidamente e achei um artigo chamado “Mulher, velhice e solidão: uma tríade contemporânea?”, de Marly de Jesus Sá Dias e Jacira Serra, que caiu como um belo soco no estômago e que trazia as duas citações abaixo: “As mulheres acumulam no decorrer da vida desvantagens (violência, discriminação,

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura
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