

O que você chama de amor é trabalho não remunerado: uma análise da obra “O Ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista” de Silvia Federici
No primeiro capítulo do livro O Ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista , Silvia Federici (2019) discute a teorização e a politização do trabalho doméstico como um caminho para a compreensão da exploração das mulheres na organização da sociedade capitalista. Em sua obra, Federici afirma que o trabalho doméstico invisível constitui um elemento crucial na exploração das mulheres no capitalismo e, ao propor a ampliação da análise marxista acerca

Mithaly S. Correa
18 de nov. de 20253 min de leitura


Gestar e maternar ao mesmo tempo: minha jornada de recomeço, fé e rede de apoio
Meu nome é Greice Kelly, sou esposa do Gustavo e mãe da Ana Sophia. Enquanto ainda vivia a intensidade de aprender a maternar, descobri que carregava uma nova história dentro de mim, uma nova vida dentro de mim. Gestar e maternar ao mesmo tempo foi, e ainda é, um mergulho em sentimentos que se misturam entre alegria, medo, culpa e amor. É sobre essa experiência real que eu quero compartilhar um pouco aqui. Quando descobri a gestação da minha segunda filha, a Ana Sophia tinha

Greice Kelly Carvalho
17 de nov. de 20253 min de leitura


UM OLHAR SOCIAL E PSICANALÍTICO SOBRE A MATERNIDADE E A SUBJETIVIDADE MATERNA
Podemos pensar a maternidade sob a ótica da sociologia como um produto sociocultural de um determinado tempo e região que perpassa também questões de gênero. “Produto” este, que de acordo com o constructo político vigente, sofre interseccionalidades dos sistemas de poder que regem os discursos e privilegiam determinadas camadas. Para Foucault (2000), o discurso atua enquanto um conjunto de saberes e práticas “que formam sistematicamente os objetos de que falam”, demarcando o

Marcella Brito dos Santos
6 de nov. de 20256 min de leitura


O Arrependimento Materno: mulheres que se arrependeram da escolha da maternidade
Arrependimento materno me faz lembrar imediatamente daquela cena clássica de família: a mãe reclamando de estar cansada, gritando aos quatro cantos da casa que apenas será reconhecida por nós, filhas, no dia em que tivermos os nossos filhos. Mas, e se não quisermos ter filhos? Tal negativa faz elas rapidamente mudarem seus discursos, aclamando a maternidade como um lugar "cheio de bênçãos", da qual nos arrependeremos de não viver. E se nos arrependermos ao vivê-la? Esta é a p

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


IDENTIDADE FEMININA: QUAL A PROFISSÃO DE MAINHA?
Estou ainda um pouco atônita enquanto faço este texto. A questão é exatamente essa do título: qual a profissão de mainha? Eu não tenho a resposta para esta pergunta e este fato tem tudo a ver com a construção social da identidade feminina na base opressora emachista que vivemos. Hoje lia “A Mística Feminina” de Betty Friedan, um livro de 1963 baseado em um estudomarcante sobre a cultura americana da mulher/esposa/dona-de-casa que se tornou umfenômeno particularmente dominant

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Sou uma boa ou má mãe? Meu condicional amor materno
Esse é o primeiro ano, desde que meu filho nasceu, que o amo mais. Contradizendo o que normalmente ouvimos sobre maternidade, eu admito que meu amor por ele é condicional, depende das condições para eu vivê-lo plenamente. Fugindo das palavras escritas nos cartões de dia das mães, o amor ao meu filho não é - e nunca será - eterno e incondicional. Do momento em que ele nasceu até o ano passado, amar essa criança foi difícil, sofrido e cheio de altos e baixos que interferiram pr

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


INVISIBILIDADE MATERNA: A VISÍVEL HOSTILIDADE DOS ESPAÇOS QUE NÃOACOLHEM MÃES E BEBÊS
Meu filho tinha cinco meses e chorava horrores. Corri para o banheiro porque sabia que a fralda estava cheia e precisava ser trocada. Me deparo com um banheiro chique, bem limpo e cheiroso - mas sem nenhum fraldário ou espaço infantil. Com a cabeça ecoando o choro de um bebê irritado, tento pensar rápido sobre o quê, como e onde trocar esta criança. Balançando ele no sling, abro a mochila e tiro dela tudo que minhas costas aguentavam por já saber que não acharia fraldários: t

Karla Fontoura
6 de nov. de 20257 min de leitura


Mulheres: mais inteligentes e mais propensas a serem pobres
Hoje fui confrontada com uma notícia que cogitava ser real, mas ainda não tinha dado atenção: mulheres têm probabilidade maior de envelhecerem mais pobres do que os homens. Pesquisei rapidamente e achei um artigo chamado “Mulher, velhice e solidão: uma tríade contemporânea?”, de Marly de Jesus Sá Dias e Jacira Serra, que caiu como um belo soco no estômago e que trazia as duas citações abaixo: “As mulheres acumulam no decorrer da vida desvantagens (violência, discriminação,

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Mãe solo com pai presente
Se você é mãe e está separada/divorciada, é muito importante que descubra um fato que demorei dois anos para considerar sobre minha maternidade. Existe mãe solo com pai presente. Primeiro de tudo, vamos analisar a mãe solo? O termo em si é super recente, por isso, precisamos revisitar sua origem, à famosa ideia da “mãe solteira”. Resumidamente, mãe solteira seria aquela mulher que não tem o pai do seu filho/a presente. Normalmente, são mulheres que foram abandonadas em

Karla Fontoura
6 de nov. de 20257 min de leitura


Amo minha filha, amo a maternidade. O que eu odeio é o patriarcado branco.
"Amo minha filha, mas odeio a maternidade" é uma das frases por onde milhares de mulheres têm escoado sua exaustão, a sobrecarga, a dor da solidão e da necessidade de escolher se vai viver como se só fosse mãe ou se vai viver como se não tivesse filhos. Mas nada disso é natural. Quero poder transformar essa sentença. Primeiro porque essa ideia de maternidade certamente está sendo construída por homens, sobretudo os brancos. Essa ideia de que a maternidade é uma prisão dent

Karla Fontoura
6 de nov. de 20252 min de leitura


O não espaço da minha maternidade não binária
Minha não binariedade chegou na minha expressão, na minha liberdade, na minha autoestima, mas, por vários motivos, ainda não está completamente presente na minha maternidade. Por quê? Escrever esse texto vai ser uma forma de tentar achar respostas para mim mesma. Estou pensando nesse assunto há muito tempo, mas, fui especialmente instigada por ele quando meu filho, na sua doce molecagem repetiu comigo a brincadeira que fazia com seu primo. Ele dizia opções improváveis a ele

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Medicina e feminismo: a mulher como o não-homem
Meu filho de 8 anos me lançou uma pergunta “daquelas” esses dias. Ele disse: “Mãe, a xereca é quando não tem pinto, certo?” Essa questão puxou toda uma reflexão interna que eu estava fazendo sobre a relação da medicina com o corpo feminino. Logo volto ao assunto. Vamos ao momento da conversa com meu pequeno. Na hora, fiquei assustada com a questão, não pelo conteúdo da anatomia dos órgãos sexuais - conversamos livremente sobre o assunto - mas, pela observação de que meu

Karla Fontoura
6 de nov. de 20253 min de leitura


Carga mental: sobre ser o "hd" de alguém
Por muitos anos eu fui o HD de alguém. Ser um HD significa disponibilizar espaço na mente para as necessidades do outro, seus compromissos, é ser sua motivação, seu apoio e suporte emocional. Ser HD é aceitar cuidar de um adulto com todas as suas capacidades físicas e cognitivas plenas porque existe uma construção cultural de que metade dos adultos no mundo sabem se cuidar e cuidar dos outros (mulheres) e metade não sabe fazer isso (homens). Essa perspectiva é baseada em u

Karla Fontoura
6 de nov. de 20256 min de leitura


"Não tenho com quem deixar": maternidade e mobilidade urbana no rio de janeiro
“N ão tenho com quem deixar”: essa é a frase mais falada por mães de bebês e crianças para justificarem a impossibilidade de irem para qualquer lugar. Os mais velhos já não estão disponíveis para serem cuidadores das crianças e talvez esse seja um efeito imediato da dificuldade de alcançar a aposentadoria depois da reforma da previdência. Os papéis se inverteram: nas praças das favelas e dos bairros pobres, não raro, uma criança cuida da outra. Quando há adultos disponíveis p

Yasmin Rodrigues
6 de nov. de 20254 min de leitura


"O problema é..." sobre homens que pagam pensão, mas sempre reclamam
Certos comportamentos no machismo não são tão lineares como imaginamos. A complexidade do ser humano faz com que atitudes opostas ocupem um mesmo lugar. É o que, particularmente, percebo na paternidade participativa, afetiva e comprometida, mas que, simplesmente, é machista no seguinte: eles não estão comprometidos com a pensão. A gente já conhece a lenda urbana - mais real que nunca - dos pais que simplesmente somem e esquecem de suas crias, ao ponto de não se comprometere

Karla Fontoura
6 de nov. de 20255 min de leitura


“Sabia que mãe não pode morrer?” maternidade compulsória e sua opressão na não-existência
Esses dias eu estava pensando que uma das coisas mais difíceis em ser mãe é não poder morrer. Lembro que foi o primeiro pensamento que me veio à mente quando minha gravidez foi confirmada. Eu andava na rua e, antes de atravessar a pista, parei por alguns instantes e conferi com mais precisão se estava atravessando na faixa, se não havia carro nos dois lados e, por algum instinto, atravessei a via com a mão na barriga, como se de alguma forma minha pequena mãozinha avisasse

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


Invisibilidade masculina: o véu que cobre o que ninguém quer ver
Já me dediquei a explicar sobre a invisibilidade feminina e como ela colabora para o isolamento da mulher ao lar e as tarefas domésticas. Mas sabia que existe uma invisibilidade masculina? Aquela que torna o homem invisível em situações que cobram sua participação e responsabilidade. Onde podemos avistar rapidamente essa implacável invisibilidade masculina? Na paternidade. Vou trazer um exemplo bem claro. O ator Nick Cannon, ex-marido da Mariah Carey, possui 12 filhos de 6

Karla Fontoura
6 de nov. de 20254 min de leitura


ELA NÃO RECLAMA: SOBRE OS SILENCIAMENTOS IMPOSTOS ÀS MULHERES
É muito comum quando, ao desvelar um problema que acomete as mulheres, outras pessoas se manifestem em oposição, alegando especialmente que “minha esposa/mãe/avó/tia/irmã não reclama disso”. Será mesmo? Preciso te dizer que se elas não reclamam externamente, e com palavras exatas ou discussões calorosas, não é porque a situação não as incomoda, mas porque escolheram o silenciamento. Por costume ou proteção, para se sentirem mais amadas e pertencentes às suas relações, as m

Karla Fontoura
23 de set. de 20234 min de leitura


Ser mãe é bom ou ruim? Derrubando o mito materno da experiência única
Muitas mulheres que cogitam ser mães querem saber de mim se a maternidade é algo bom ou ruim. Sim, não e talvez para a pergunta. Mas uma coisa é certa: ser mãe sempre será injusto! Quando qualquer pessoa me questiona se a experiência materna é boa ou não, é compreensível que essa pergunta se manifeste. Na medida em que falamos mais sobre a maternidade real, as mulheres têm tido maior acesso às falácias da romantização materna e uma delas se refere à própria ideia de ter dú

Karla Fontoura
14 de set. de 20234 min de leitura


Mulheres Mães Universitárias: "Nadando contra a Corrente"
H á pouco tempo, em uma entrevista para uma pesquisa com o tema da maternidade, me perguntaram como eu me sentia em relação à maternidade e à pressão de ser uma mãe perfeita, mesmo tendo que conciliar maternidade, trabalho e faculdade. Respondi que não tento ser uma mãe perfeita, e sim uma mãe possível. Ser uma mãe possível tem tudo a ver com a batalha diária que eu, assim como muitas mulheres mães, travamos para conciliar nossas múltiplas jornadas. Ser mulher, mãe, trabalhad

Mithaly S. Correa
22 de mai. de 20206 min de leitura





